Era um bela manhã de sábado, poucos estavam acordados as 5 horas, quando o sol raiava todos os dias naquela parte de Eä, mas um grupo do reino de Kamigawa estava sempre acordado.
-- Senhor, o dia já começou. – um baixo homem com um monóculo estava parado ao lado de uma suntuosa cama. Os rituais do dia começaram.
-- Claro Mizou, já estou acordado faz um tempo. – A voz calma emana pelo quarto, todos sentem arrepios quando ela chega aos ouvidos.
-- Senhor, as suas vestes o esperam. – o Mordomo estica a mão que ajuda o homem a se levantar. O corpo esbelto se sobressai ao sol recém chegado. Era imaculado, sem cicatrizes, com músculos perfeitos, do tipo que só estatuas possuíam, os dentes brancos como leite, e a pele cor de pêssego. O Deus levantara. E todos sentiam a força e a inspiração que ele fornecia.
Enquanto os serviçais trocam o kimono que servia apenas para dormir, por uma verdadeira obra de arte, feito pelo melhor alfaiate do reino, o mordomo começa a dizer as tarefas do dia.
-- O senhor tem uma conversa matinal com um enviado de Überfall e um jantar com o emissário de Azenford. Durante a manha, uma reunião com os conselheiros do reino e a tarde um encontro com o general Saban, que volta a capital para um anuncio importante, de acordo com o mesmo.
-- Ele não disse sobre o que se tratava?
-- Desculpe-me senhor, mas ele não quis informar pela carta.
-- Ummm ... – uma leve sombra cobre os olhos do Shogun e Deus. Ele sentia que algo estava errado, mas não sabia o que era, o assunto lhe tirara parte do sono da noite.
Uma bela espada é colocada em sua cintura e ao tocá-la a aura que emanava do Shogun triplica e todos os presentes no castelo sabem. Ele está saindo do quarto. O café da manhã está pronto, posto sobre uma grande mesa baixa, que está rodeada por almofadas. Um grupo de estrangeiros está no canto da sala.
Ao entrar na sala o grupo, irrequieto pelo poder do Shogun se curva em respeito.
-- Bom dia Majestade, viemos a pedido de nosso Rei para falar com vossa excelência.
-- Claro, enquanto eu como vocês podem falar sobre o que quiserem, só peço que se retenham a esse período.
A conversa foi a de sempre, relações comerciais, alianças permanentes, nada de muito estranho a ser relatado pelo emissário. Com uma exceção.
-- Senhor recebemos estranhos relatos de um pequeno país da fronteira, na região perto Omnüs e de nossas fronteiras. Os nossos cavaleiros não acharam nada mais que cidades vazias e reinos abandonados.
Com grande surpresa o senhor de Kamigawa levanta uma de suas sobrancelhas, e indaga.
-- Não tem mais nenhuma informação sobre o assunto?
--Temo que não excelência, por esse motivo que muitos emissários foram enviados a nações amigas, mas até agora nenhuma conseguiu nos fornecer mais do que boatos.
-- Vejo que as coisas estão a mudar. Avise seu senhor que a fronteira do norte está em grandes dificuldades, e que não poderemos ajudar de imediato contra tão estranha ameaça.
-- Como vossa excelência quiser.
O pequeno grupo se retira, deixando o Shogun a pensar sobre os assuntos que atormentavam sua mente.
-- Mizou, preciso que chame os meus conselheiros, de preferência de imediato.
-- Senhor, creio que eles já estejam lhe esperando na sala de reuniões.—O mordomo e secretario do Shogun demonstra certo embaraço pelo fato do monarca ter esquecido de seus afazeres. – Como havia lhe dito hoje ao seu acordar senhor.
-- AH! Claro, claro. Esses problemas estão me deixando preocupado demais.—As rugas brotam por toda a testa enquanto ele começa a pensar sobre o que os deuses queriam com tais loucuras.
A reunião foi pautada pelos problemas financeiros que o país sofria devido os grandes gastos de se manter a fronteira norte sem recuar um metro a mais de mil anos. Os últimos trinta haviam sido graças a certo general que mantivera os homens lutando bravamente. Aparentemente não agüentariam até a próxima geração, estavam fadados ao fracasso.
-- Senhores isso pode continuar depois, agora não me sinto a vontade para tais assuntos, ainda tenho que pensar sobre outras coisas. – fala ao se levantar o Shogun, que estivera avoado durante a discussão inteira.
O dia passa e por fim um jovem se prosta a frente do Shogun, seus cabelos longos e negros, junto com seu rosto serio e cansado, lhe dão um ar de um velho em corpo de jovem, e essa avaliação não poderia estar mais certa.
-- Meu senhor, venho com noticias da fronteira norte.—a voz límpida e carregada de conhecimento assusta o Deus sentado em seu trono, era uma voz de sua infância, a voz que lhe guiara pelos caminhos da espada.
-- Saban? – As rugas tomaram-lhe a fronte.—Saban? É você?
-- Sim senhor, só alguns anos mais jovem como o senhor pode ver. – Ao levantar o olhar mostra os seus olhos verdes fumegantes de uma nova paixão. – e com péssimas noticias.
-- Mais noticias ruins? Até você! – O imperador cansado esconde seu rosto atrás das mãos cruzadas. – Diga de uma vez.
-- Os orcs senhor, eles estão sendo controlados, e possuem um general.
-- General? – a face do Shogun embranquece.
-- Sim meu senhor, um minotauro, chamado Jax.
-- Então o que você está fazendo aqui? Perdeu o juízo? – a humanidade brotava por todos os poros do Shogun que meros instantes atrás era onipotente.—por mais que seja o nosso melhor soldado, general e comandante não poderia se dar ao luxo de sair da fronteira num momento tão crucial!
Um estranho silencio toma o salão, o então jovem Saban se resumi a abaixar a cabeça enquanto termina o seu relato.
-- Perdemos algumas de nossas fortalezas avançadas, senhor, estão sendo organizados demais, se não entrarmos em guerra contra eles perderemos todas. E talvez até mesmo as principais, senhor.
Cada palavra é como uma navalha, e o Shogun, já emocionalmente desequilibrado, perde o controle de seus poderes divinos, por todo o palácio objetos voam, se chocando contra paredes, nos campos de treinamento da guarda imperial um grande numero de recrutas perde a consciência, assim como muitos despreparados dentro do palácio. As coisas estavam mudando e o Deus não sabia lidar com elas.
Na sala do trono todos estão estáticos, ninguém se intrepoem ao poder do imperador.
-- Saban, você tem a autorização de levar quem e o que achar necessário. Só resolva isso. Mizou vou para o meu quarto, cancele os outros compromissos.
-- Claro senhor.—ambos respondem.
O dia do imperador termina mais cedo, enquanto clérigos correm pelo palácio ajudando os inusitados pacientes. Um mais entre outros dias que serão difíceis para todos.


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